Governo do RJ apresenta painel da Economia Azul e revela que setor movimenta R$ 384 bilhões no estado
Ação desenvolvida em parceria com a UFRRJ mapeia 17 anos de dados, aponta geração de mais de 388 mil empregos formais e consolida a gestão ambiental e hídrica como estratégia central do desenvolvimento fluminense.
RIO DE JANEIRO — O Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado de Ambiente e Sustentabilidade (SEAS), apresenta Painel da Economia Azul do Estado do Rio de Janeiro. Resultado de uma parceria técnica com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e a Fundação de Apoio à Pesquisa da UFRRJ (FAPUR), a obra é um marco inédito no país ao medir, com metodologia científica auditável e série histórica de 17 anos (2008-2024), o peso econômico do oceano, da zona costeira e das bacias hidrográficas na estrutura produtiva fluminense.
O painel destaca a força monumental do setor: em 2024, a Economia Azul fluminense atingiu a marca histórica de 388.218 postos de trabalho formais — um crescimento de 52,13% em comparação a 2008. Distribuído por 15.918 estabelecimentos, o complexo econômico gerou um faturamento estimado de R$ 384,2 bilhões, o que equivale a cerca de 13,5% do faturamento total do Estado do Rio de Janeiro.
Com esses números, o estado consolida sua posição de liderança nacional, concentrando mais de um terço dos empregos da economia azul do Brasil e cerca de três quartos de todos os postos de trabalho do setor na Região Sudeste.
Transformando águas em estratégia de governo
A publicação marca a consolidação de uma mudança de paradigma iniciada em 2022, quando a preservação e o saneamento de rios, lagoas e mares deixaram de ser apenas uma pauta ambiental para se tornarem um pilar estratégico de desenvolvimento sustentável. A atuação internacional da SEAS na Conferência dos Oceanos da ONU (Lisboa) e na COP27 (Sharm El-Sheikh) evidenciou que o Rio de Janeiro possui escala econômica, conhecimento técnico e extensão litorânea para protagonizar a agenda global do oceano.
Para estruturar e acompanhar essa transformação, o Estado criou a Coordenação de Economia Azul (COOEAZ), vinculada à Superintendência de Desenvolvimento Sustentável, na Subsecretaria de Sustentabilidade e Educação Ambiental (SUBSEA), no âmbito da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS). A iniciativa está alinhada às diretrizes da Década da Ciência Oceânica da UNESCO e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, com ênfase no ODS 6 (Água Potável e Saneamento) e ODS 14 (Vida na Água).
Metodologia rigorosa e abrangência regional
Para mapear com precisão o setor, os pesquisadores analisaram 1.301 subclasses da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE 2.0), identificando 101 atividades diretamente vinculadas ao ecossistema aquático e marítimo. As atividades foram organizadas em oito macrossetores:
1. Recursos Vivos
2. Recursos Não Vivos
3. Construção e Manutenção Naval/Offshore
4. Transporte, Logística e Infraestrutura Aquaviários
5. Turismo, Esporte e Lazer
6. Serviços de Utilidade Pública
7. Outros Serviços
8. Defesa e Segurança
A plataforma contempla os 27 municípios costeiros fluminenses, abrangendo seis regiões hidrográficas, e utilizou dados oficiais de bases como IBGE, RAIS, CAGED e Receita Federal. O recorte seguiu critérios legais estritos para garantir que fossem contabilizadas apenas empresas cuja viabilidade econômica dependa comprovadamente da interface terra-mar e dos recursos hídricos.
Ações práticas e visão de futuro
O diagnóstico lançado é a base para a futura Política Pública de Economia Azul do Estado, em fase de elaboração, e soma-se a uma série de entregas e programas já implementados pela SEAS no ciclo 2022-2026.
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